O preço de viver esperando que alguma coisa dê errado

Luciene Marinho

8/24/202613 min read

Há pessoas que parecem estar sempre preparadas. Antecipam possibilidades, observam mudanças no comportamento dos outros, revisam decisões, criam planos alternativos e dificilmente relaxam por completo. Para quem olha de fora, isso pode parecer organização, responsabilidade ou prudência. Por dentro, porém, a experiência pode ser muito diferente.

Mesmo quando as coisas estão bem, uma parte da atenção continua procurando aquilo que pode dar errado. Uma mensagem inesperada produz apreensão. Um silêncio diferente parece anunciar algum problema. Uma pequena mudança no trabalho desencadeia uma sequência de cenários. Uma pessoa demora a responder e a mente começa a preencher aquele espaço com possibilidades negativas.

Até os momentos bons podem ser acompanhados por uma sensação difícil de explicar:

“Está tudo bem demais. Alguma coisa vai acontecer.”

Não necessariamente existe um perigo concreto. O que existe, muitas vezes, é uma dificuldade em confiar que a ausência de perigo possa realmente significar segurança.

Antecipar problemas ocasionalmente pode nos proteger. Viver permanentemente preparado para eles, porém, tem um custo emocional, cognitivo e corporal importante.

Antecipar o futuro também é uma forma de adaptação

Nossa capacidade de imaginar o que ainda não aconteceu é essencial. Planejamos, avaliamos riscos, consideramos consequências e criamos estratégias justamente porque conseguimos projetar possibilidades futuras.

Portanto, antecipação não é necessariamente ansiedade.

A diferença começa a aparecer quando uma possibilidade deixa de ser tratada como possibilidade e passa a ser experimentada quase como uma ameaça em andamento.

A pessoa não pensa apenas sobre o que fará caso algo aconteça. Ela sente que precisa impedir que aconteça.

É nesse ponto que planejamento e preocupação podem começar a se misturar.

Existe uma lógica compreensível por trás disso. Se eu pensar em tudo o que pode dar errado, talvez consiga me preparar; se estiver preparado, talvez sofra menos; se não criar expectativas, talvez não me decepcione; se observar cuidadosamente as pessoas, talvez perceba antes que se afastem.

O problema é que a vida oferece uma quantidade praticamente infinita de possibilidades. Sempre haverá alguma variável que não pode ser controlada.

Quanto mais a pessoa tenta eliminar completamente a incerteza, mais coisas encontra para analisar.

A dificuldade de não saber o que vai acontecer

A psicologia possui um conceito particularmente relevante para compreender esse funcionamento: intolerância à incerteza.

Ela está relacionada à dificuldade de lidar com situações cujo resultado não pode ser completamente conhecido ou controlado. Não significa simplesmente preferir previsibilidade. O problema aparece quando não saber se torna emocionalmente tão desconfortável que a pessoa passa a utilizar preocupação, checagem, controle ou evitação para tentar alcançar certeza.

Uma ampla meta-análise publicada em 2026, reunindo 138 amostras independentes e 28.693 participantes, encontrou associações importantes entre intolerância à incerteza, preocupação e diferentes manifestações de ansiedade, especialmente no transtorno de ansiedade generalizada. Isso não significa que toda pessoa que tenha dificuldade com incerteza possua um transtorno, mas mostra que a maneira como lidamos com aquilo que não podemos prever pode ter participação relevante no sofrimento psicológico.

Para algumas pessoas, preocupar-se funciona quase como uma estratégia de proteção emocional:

“Se eu esperar o pior, pelo menos não serei pego de surpresa.”

Existe uma tentativa de sofrer antecipadamente para diminuir uma possível dor futura.

Mas preocupação não funciona como uma vacina contra sofrimento.

Se o acontecimento temido não ocorre, todo o sofrimento antecipatório já aconteceu. Se ocorre, a pessoa sofre antes e depois.

O futuro começa a ocupar o espaço do presente

Esse talvez seja um dos maiores custos de viver esperando que algo dê errado.

Uma viagem começa e a pessoa já está preocupada com a volta. O filho sai e ela imagina acidentes. O relacionamento está bem, mas ela procura sinais de afastamento. Recebe uma oportunidade profissional e pensa primeiro nas maneiras pelas quais pode fracassar. Conquista algo importante e, antes de conseguir comemorar, começa a pensar no que pode perder.

É possível estar fisicamente no presente e psicologicamente viver em inúmeros futuros possíveis.

E quase todos eles contêm algum problema.

A preocupação também não acontece apenas como pensamento. Quando uma possibilidade é interpretada como ameaça relevante, podem aparecer tensão muscular, alterações respiratórias, inquietação, desconfortos gastrointestinais, dificuldade para dormir e outras manifestações fisiológicas.

Isso ajuda a compreender por que alguém pode terminar o dia exausto mesmo pensando que “não aconteceu nada”.

Externamente, talvez realmente não tenha acontecido.

Internamente, porém, houve horas de monitoramento, antecipação, construção de cenários, preparação de respostas e tentativa de reduzir incertezas.

Viver em antecipação exige energia.

Quando descansar significa baixar a guarda

Algumas pessoas conseguem parar fisicamente, mas não psicologicamente.

Sentam-se no sofá e começam a pensar na semana seguinte. Deitam-se e lembram de alguma coisa que precisam resolver. Viajam e continuam verificando mensagens. Quando finalmente existe um período tranquilo, aparece uma sensação de que alguma obrigação está sendo esquecida.

Relaxar pode ser experimentado quase como baixar a guarda.

“Se eu parar de pensar, alguma coisa pode escapar.”

“Se eu não acompanhar tudo, posso perder o controle.”

Por isso, dizer simplesmente que alguém “precisa descansar” nem sempre resolve. O corpo pode estar parado enquanto a mente continua tentando antecipar o futuro.

E, em algumas histórias, permanecer atento realmente foi importante.

Quando esperar problemas foi uma forma de proteção

Nem sempre essa maneira de funcionar começou na vida adulta atual.

Imagine alguém que cresceu em um ambiente no qual o humor de uma pessoa importante mudava rapidamente, discussões surgiam sem aviso, promessas nem sempre eram cumpridas, existiam problemas financeiros frequentes ou acontecimentos difíceis apareciam sem que houvesse recursos suficientes para lidar com eles.

Observar o ambiente podia ser uma estratégia útil.

Perceber uma mudança no tom de voz talvez ajudasse a antecipar um conflito. Não criar expectativas podia diminuir a intensidade de algumas decepções. Tentar controlar aquilo que fosse possível talvez oferecesse alguma sensação de segurança em um ambiente imprevisível.

Uma resposta que hoje parece excessiva pode ter possuído uma lógica importante em outro momento.

Isso não significa que toda preocupação venha da infância ou seja consequência de trauma. Experiências da vida adulta também podem modificar profundamente nossa relação com segurança e previsibilidade. Uma demissão inesperada, uma traição, uma doença, uma perda importante, dificuldades financeiras, violência, uma experiência migratória difícil ou uma sequência de acontecimentos adversos podem mudar a expectativa sobre aquilo que acontecerá depois.

Além disso, ansiedade, características individuais, aprendizagem, condições atuais e fatores biológicos também precisam ser considerados.

Não precisamos encontrar um trauma escondido para explicar toda dificuldade atual.

Quando a tranquilidade começa a parecer suspeita

Para alguém que viveu por muito tempo lidando com problemas, a ausência deles nem sempre produz imediatamente alívio.

Pode produzir estranhamento.

“Está tudo calmo demais.”

“Quando as coisas ficam boas, alguma coisa acontece.”

Então a pessoa começa a procurar o problema que ainda não encontrou.

Essa busca também pode aparecer nos relacionamentos. Uma mensagem mais curta parece rejeição, uma demora na resposta parece afastamento, uma mudança no humor do parceiro produz imediatamente a pergunta: “Fiz alguma coisa?”.

Algumas pessoas procuram confirmação repetidamente. Outras fazem o contrário e evitam demonstrar necessidade. Há quem se afaste primeiro para não correr o risco de ser abandonado.

O medo de perder pode começar a interferir justamente na capacidade de viver aquilo que existe.

Até as conquistas podem despertar medo

Há pessoas que desejam intensamente alguma coisa enquanto ainda não a possuem, mas, quando finalmente conseguem, sentem dificuldade para permanecer na satisfação.

Recebem uma promoção e imediatamente pensam nas responsabilidades. Entram em um relacionamento que desejavam e começam a temer perdê-lo. Conseguem estabilidade financeira e passam a imaginar situações capazes de destruí-la.

Não necessariamente existe ingratidão.

Quanto mais importante alguma coisa se torna, maior também pode parecer a possibilidade de perdê-la.

A estratégia então passa a ser reduzir a própria expectativa:

“Melhor não comemorar antes da hora.”

“Vamos ver quanto tempo dura.”

“Não quero me empolgar demais.”

Existe uma tentativa de proteger-se da decepção diminuindo previamente o contato com a alegria.

O preço dessa proteção pode ser passar pela vida evitando parte de uma possível dor futura e, ao mesmo tempo, sacrificando parte da satisfação presente.

Controle não é o mesmo que segurança

Quando existe grande dificuldade em tolerar incerteza, controle pode começar a funcionar como sinônimo de segurança.

Se eu souber tudo, estarei seguro. Se planejar cada etapa, nada sairá errado. Se compreender exatamente o que o outro está sentindo, não serei surpreendido. Se revisar várias vezes, não cometerei erros.

Algum grau de controle é necessário para organizar a vida.

O problema está na expectativa de que controle suficiente possa eliminar a incerteza.

Nenhum relacionamento oferece certeza absoluta. Nenhuma condição financeira elimina todos os riscos. Nenhum exame médico garante o futuro. Nenhum planejamento impede todos os imprevistos.

Quando segurança depende de certeza absoluta, a pessoa começa a buscar uma condição que a realidade humana não consegue oferecer.

Talvez seja por isso que a preocupação nunca diga: “pronto, agora é suficiente”.

Sempre existe mais um cenário possível.

Preocupar-se pode parecer uma forma de agir

Uma das razões pelas quais a preocupação se mantém é porque ela pode produzir uma sensação de produtividade.

Quando existe um problema concreto, pensar sobre ele pode levar a uma ação: marcar uma consulta, organizar uma dívida, conversar com alguém, revisar um documento ou tomar uma decisão.

Existe um momento em que o pensamento se transforma em ação.

Na preocupação repetitiva, esse ponto de encerramento não chega.

“E se der errado?”

“E se eu não conseguir?”

“E se houver alguma coisa que eu não esteja percebendo?”

Cada resposta cria uma nova pergunta.

A pessoa sente que está fazendo alguma coisa para prevenir o futuro, quando muitas vezes está circulando em torno de uma incerteza que não pode ser resolvida naquele momento.

Essa diferença entre resolver um problema e tentar eliminar uma incerteza é fundamental.

“Mas muitas vezes eu estava certo”

É possível.

Pessoas que observam muito o ambiente podem realmente perceber sinais relevantes. Ser cuidadoso e reconhecer riscos não são problemas em si.

A questão está no custo.

Também é muito mais fácil lembrar das previsões que se confirmaram do que contabilizar todas as noites de preocupação por situações que nunca aconteceram, todas as conversas ensaiadas que nunca foram necessárias e todas as catástrofes imaginadas que desapareceram sem deixar registro.

Talvez a pergunta não precise ser:

“Minha preocupação está errada?”

Mas:

“Quanto está me custando precisar me preocupar dessa maneira para me sentir seguro?”

O problema não é perceber riscos. É não conseguir reconhecer segurança

Saúde emocional não significa acreditar que nada ruim acontecerá.

Coisas difíceis fazem parte da vida. Pessoas decepcionam, relacionamentos terminam, empregos mudam, perdas acontecem e planos precisam ser refeitos.

O objetivo também não é substituir uma expectativa negativa por uma certeza artificial de que “vai dar tudo certo”.

Talvez uma posição mais flexível seja reconhecer:

“Eu não sei exatamente o que acontecerá. Posso avaliar os riscos reais, cuidar daquilo que está ao meu alcance e confiar que poderei responder ao restante quando for necessário.”

Existe uma diferença profunda entre acreditar que nada dará errado e não precisar viver como se alguma coisa já estivesse dando errado.

Segurança também pode significar confiar em si

Por trás da necessidade de prever tudo, muitas vezes existe outra pergunta:

“E se acontecer alguma coisa que eu não consiga suportar?”

Nesse caso, trabalhar apenas a probabilidade de o acontecimento ocorrer pode ser insuficiente.

Talvez seja necessário desenvolver também confiança na própria capacidade de responder.

Consigo atravessar uma frustração? Posso pedir ajuda? Consigo reorganizar um plano? Posso tolerar não saber? Consigo sentir medo sem precisar resolver imediatamente a sensação?

Quanto mais a segurança depende de controlar o mundo, maior a vulnerabilidade diante da imprevisibilidade.

Quando parte dessa segurança começa a vir da percepção de que existem recursos internos e externos para enfrentar aquilo que surgir, não é mais necessário prever cada possibilidade.

Quando o passado participa da expectativa do futuro

Em algumas histórias, viver esperando que algo dê errado não começou como uma preocupação abstrata.

Começou porque coisas realmente deram errado.

Nesses casos, dizer simplesmente “pare de pensar negativo” não alcança o problema.

Experiências adversas podem participar da construção de expectativas sobre confiança, segurança, previsibilidade e controle. Situações presentes podem tocar aprendizagens construídas em outros momentos, mesmo quando o contexto atual é diferente.

Isso não significa que toda preocupação seja uma memória traumática.

Significa que, para algumas pessoas, compreender a relação entre história e funcionamento atual pode ser importante.

A pergunta deixa de ser apenas:

“Por que penso sempre no pior?”

E pode passar a incluir:

“Quando esperar o pior começou a parecer mais seguro do que ser surpreendido?”

O EMDR e o processamento de experiências anteriores

Quando a avaliação clínica identifica uma relação entre experiências perturbadoras anteriores e respostas atuais, o EMDR pode ser uma das abordagens utilizadas.

Dentro do modelo de Processamento Adaptativo da Informação desenvolvido por Francine Shapiro, experiências insuficientemente processadas podem continuar influenciando percepções, emoções, crenças e sensações diante de situações atuais.

O objetivo não é convencer alguém de que o mundo é completamente seguro, apagar lembranças ou impedir qualquer reação de medo.

Pode envolver justamente uma diferenciação mais adequada entre aquilo que pertence à experiência anterior e aquilo que realmente está acontecendo agora.

Em outras palavras, o presente deixa de precisar carregar automaticamente todo o significado construído no passado.

É possível aprender a lidar melhor com a incerteza

A dificuldade de tolerar incerteza não precisa ser entendida como uma característica imutável.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2023, reunindo 26 estudos e 1.199 participantes com transtorno de ansiedade generalizada, encontrou redução significativa da intolerância à incerteza e da preocupação após tratamentos psicológicos.

Isso não significa aprender a gostar da incerteza.

Significa ampliar a capacidade de viver sem precisar resolver antecipadamente aquilo que ainda não pode ser resolvido.

Também significa perceber que tranquilidade não depende de acreditar que nada ruim acontecerá.

Pode depender de algo mais realista:

nem todo silêncio anuncia conflito; nem toda demora significa abandono; nem todo erro produz uma catástrofe; nem toda mudança significa perda de controle e nem todo período bom precisa terminar mal.

O preço de nunca baixar a guarda

Talvez o custo mais importante desse funcionamento não apareça em uma crise específica.

Ele se acumula.

Está no corpo que permanece tenso quando poderia descansar, na mente que continua trabalhando quando o dia terminou, nos relacionamentos constantemente examinados em busca de sinais, nas decisões adiadas porque nunca existe informação suficiente, nas oportunidades recusadas porque risco zero não existe e nas conquistas que não chegam a ser plenamente experimentadas.

A pessoa passa tanto tempo preparando-se para uma vida que pode dar errado que sobra pouco espaço para experimentar a vida que está acontecendo agora.

O objetivo não é abandonar prudência ou planejamento.

É conseguir avaliar riscos sem transformar possibilidades em certezas, planejar sem tentar controlar todas as variáveis, reconhecer um desconforto sem imediatamente imaginar o pior e permitir-se experimentar algo bom sem acreditar que a alegria aumentará a probabilidade de perdê-lo.

Talvez você não precise aprender que nada ruim acontecerá.

Nenhum de nós possui essa garantia.

Talvez precise construir uma confiança diferente:

se alguma coisa acontecer, você poderá lidar com ela quando ela realmente chegar.

Até lá, não precisa vivê-la todos os dias.

Perguntas frequentes

Pensar sempre no pior significa ter ansiedade?

Não necessariamente. Antecipar riscos faz parte do funcionamento humano. O que merece atenção é a frequência, a intensidade, a dificuldade de interromper a preocupação e o impacto sobre sono, relações, decisões, trabalho e qualidade de vida.

O que é intolerância à incerteza?

É um conceito relacionado à dificuldade de lidar com situações cujo resultado não pode ser completamente conhecido ou controlado. Está associado à preocupação e a diferentes manifestações de ansiedade, mas não estabelece um diagnóstico por si só.

Esperar que algo dê errado pode ter relação com experiências anteriores?

Pode, em algumas pessoas. Experiências de imprevisibilidade, perdas ou outras situações adversas podem influenciar expectativas sobre segurança e controle. Entretanto, não é adequado concluir que toda preocupação tenha origem traumática ou esteja necessariamente relacionada à infância.

Ser controlador significa ter vivido um trauma?

Não. Nenhum comportamento isolado permite inferir trauma. Necessidade de controle pode estar relacionada a diferentes fatores, como ansiedade, aprendizagem, características individuais, experiências anteriores e condições atuais.

É possível aprender a lidar melhor com a incerteza?

Sim. Intervenções psicológicas podem ajudar a reduzir preocupação excessiva e dificuldade de tolerar incerteza. A abordagem dependerá da avaliação individual e dos fatores que sustentam esse funcionamento.

O EMDR pode ajudar?

Quando existe relação entre experiências perturbadoras anteriores e respostas atuais, o EMDR pode ser uma das abordagens utilizadas para trabalhar essas experiências. Isso não significa que toda preocupação ou necessidade de controle deva ser interpretada como consequência de trauma.

Agende seu atendimento

Se você percebe que passa grande parte do tempo antecipando problemas, tentando controlar possibilidades ou encontrando dificuldade para relaxar mesmo quando as coisas estão bem, compreender o que sustenta esse funcionamento pode ser um passo importante. Meu trabalho integra Neurociência, Terapia EMDR, abordagens somáticas e Hipnose, considerando sua história, suas experiências, seus padrões de funcionamento e as condições atuais de vida. Ofereço atendimento presencial em São Paulo e psicoterapia online para brasileiros no Brasil e no exterior.

Luciene Marinho

Psicóloga | Neuropsicóloga | Terapeuta EMDR

CRP 06/118394

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Referências bibliográficas

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